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6ª Évora Experimental 2025: EXcriTEX #1

 Após residência artística, a exposição EXcriTEX  inaugurou no dia 14 de Novembro na Igreja de São Vicente em Évora, com curadoria de Feliciano Mira.  Integrada na 6ª Évora Experimental,  a exposição termina a 11 de Janeiro de 2026 e pode ser visitada de terça a domingo, das 9h-12h e das 13h-17h. Ficam aqui registo dos meus trabalhos expostos e em breve irei colocar por cá mais fotografias da exposição.
 
Igreja de S. Vicente
 Alcarcova de Baixo 59,
 7000-645 Évora
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Poemas #6

De novo de volta dos antigos poemas labirintos que ganham corpo próprio ao invadirem as paredes da casa às voltas de novo

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Revista Largo das Belas-Artes 05 (Dez 2024)

No ano passado saiu a Revista Largo das Belas-Artes 05 (Dez 2024, ISSN 2184-905605), dedicada às I Jornadas Francisco de Holanda, que decorreram a 30 de Outubro, 6 e 7 de Novembro de 2021 na Faculdade de Belas.Artes da Universidade de Lisboa.  O número inclui o meu artigo ‘ Da criação à investigação: transdisciplinaridade, experimentalismo e feminismo’ que resultou da participação nas jornadas, onde refleti sobre o meu percurso artístico em relação à investigação. Fica aqui o artigo e o link para lerem revista on-line. 

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Apontamentos #5

Livros objeto em madeira, várias dimensões.

O livro-objeto e o livro de artista com múltiplos não são antagónicos, como certos autores nos querem fazer acreditar. É possível fazer múltiplos de livros com carácter escultórico. O que não faltam são edições fac-similadas de livros artista, que inicialmente eram exemplares únicos. Quanto à escultura, na antiga Grécia já se cunhavam moedas. Como acham que existem tantos Pensadores de Rodin nos Museus? O livro objeto pode ser industrializado e reproduzido. O Kiefer faz livros-monumento com carácter único, entende-se que sejam assim. O facto de alguns autores apresentarem o antagonismo entre o livro de artista editado em pequena edição e o livro exemplar único, dos quais o livro-objeto representa o extremo, relaciona-se a meu ver, com a institucionalização do livro de artista no século XXI, com critérios de compra nas coleções. É mais barato comprar um múltiplo que um exemplar único. Não consigo imaginar o preço de um livro-monumento de Anselm Kiefer. Prefiro olhar o panorama do livro de artista desde os livros ilustrados até ao livro-objeto com carácter escultórico, com todas as cores, odores e texturas que existem neste campo alargado e criativo, sem espartilhos, caixinhas inúteis e preconceitos. O livro de artista é vário.

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Poemas #5

Tríptico babilónico, pastel sanguínea e sépia sobre papel, 3x(70x50)cm.
CORREDORES
 
O sangue corre no sangue que corre, queimando as veias labirínticas das ruas no coração da cidade. Cheira a chuva de Setembro molhado na planície. Um cruzamento áspero de ossos com um aglomerado de pedras acompanha o som dos meus passos na noite. A chuva cai e escorrega nas pedras molhadas do meu chão, nas calçadas estreitas. No escuro, oiço os teus passos nas arcadas nocturnas, esbatendo-se ao longe: são apenas eco; apenas som em ricochete dos meus pés que voltam atrás em palavras passos. Cheira a terra molhada de Setembro nestas pedras escuras das ruas estreitas. O sangue corre no tempo das veias labirínticas da cidade no coração da noite a chover. As pedras têm um timbre a ferrugem nas suas vozes. Em vale de corvos, um anjo voou apenas com uma asa, a outra caiu em terra. Foi o seu último desejo aqui em forma de lápide de ferro. As minhas mãos são a tua asa, elas escrevem em passos no coração da noite. Grito às cinzas no vento destas ruas, quero ver o mar, cheira-me a Inverno neste amarelo às voltas. Vi o teu mar ao longe, numa seara de corvos negros: era a planície amarela. Em vale de corvos a terra é ferro quando a chuva cai. Onde estou eu que tu não estás?
Corro no tempo que corre como a água a cair nas ruas estreitas da cidade. Os nossos passos estão agora nos meus passos percorrendo estas calçadas de pedra na cidade branca das muralhas; são apenas eco, o som em ricochete das palavras que caem das minhas mãos; calçada com voz de água que corre no tempo que corre na água. Cheira a terra molhada na planície amarela com a terra cor de ferro em Setembro. O sangue corre no sangue que corre no coração das ruas estreitas da cidade onde te digo: estás nas minhas mãos sempre que parto pedra nas palavras que escrevo aqui.