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Apontamentos #2

No meu antigo e intermitente blog que teve início em 2009, tinha o pluging Sitemeter que me dava o registo do que era escrito no motor de busca para lá irem parar. Fiquei por exemplo a saber que tinham escrito ou procuravam no meu blog algo sobre ‘sonhar com deitar na tampa de esgoto’, ‘fodas sigilosas’, ‘ano da cabeça de uma jovem mulher’, ‘casadas’, ‘eco boia de santa branca’, ‘figuras eco harmoniosas’, ‘capela dos ossos esqueleto bébé’, ‘desenho que simboliza a cultura do individualismo desifrado em desenho’, ‘pregar partidas a quem pede sempre cigarros’, ‘mas quando lemos em voz alta o que escrevemos’, ‘vizinhas apanhadas em flagrante’, ‘dentro dos despedaçados instantes de nenhuma hora’, ‘gráfico de queda de 30%’ ou ‘porque meu cão reconhece meu assobio’. Por cá, agora tenho o pluging SiteKit do Google que também me mostra o que foi escrito no motor de busca, e em matéria de absurdo já lá tenho o ‘enigma da carne da gaivota’.

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Apontamentos #1

“Devemos fazer a distinção entre mistério e segredo. Há o mistério da morte, mas este mistério caracteriza-se pelo facto de não ser um segredo, como há o segredo da bomba atómica, o segredo da pedra filosofal, o segredo dos violinos Stradivarius, etc. Os homens são muito ligados a este género de segredo. Porém, ninguém tem o segredo da morte. Não há segredo. Não é um segredo e é nisso que a morte é um mistério. Ou seja, é um mistério em pleno dia, tal como o mistério da inocência. É um mistério que está na transparência, no próprio facto da existência. Diz-se, por exemplo, que o que há de mais misterioso não é a noite profunda, mas sim o pleno meio-dia, o momento em que todas as coisas são apresentadas na sua evidência, onde se desnuda o próprio facto da existência das coisas. O facto de estarem lá é mais misterioso que a noite, que desperta dos pensamentos de segredo. Um segredo descobre-se, mas um mistério revela-se e é impossível descobri-lo.”

 

Vladimir Jankélévitch, «O Irrevogável: conversa com Daniel Diné» (1967), “Pensar a Morte”, trad. de Joana Patrício Rosa (2003). Mem Martins: Editorial Inquérito.