Em 2023 registei no meu diário gráfico um pouco da da paisagem da Ilha Dourada ou como é conhecida a Ilha de Porto Santo. É um sitio muito especial onde desejo voltar, também para desenhar as suas rochas.
A ideia já é antiga e tanto no verão passado como este desenvolvi a possiblidade de fazer uma edição deste livro-escultura, com moldes que premitem fazer multiplos. Entretanto, um exemplar do Livro de Babel está concluído e em breve termino cinco. Vou fazer uma edição de vinte exemplares, cada um com o respectivo suporte em madeira que mede 30x18x15cm. O livro é em pasta de madeira, betume acrílico, tecido, folha de ouro e mede 18x28x2,5cm.
No verão, tenho o hábito de desenhar no meu diário gráfico rochas nas praias onde vou. Nestes desenhos registei as rochas da Praia de Porto Novo no Vimeiro, em Julho de 2019.
A Praia da Adraga é das minhas favoritas, por ser serra-mar bravo. Quando os meus sobrinhos eram pequenos dizia-lhes que era a praia dos piratas, onde havia um tesouro escondido. As suas rochas sempre me impressionaram. Este mês andei nos ares de Sintra a apanhar banhos de nevoeiro, para variar, ou como diria o meu pai, estive onde o Inverno passa as férias de Verão. E desenhei as suas rochas.
Este ano comemorei os 50 anos do 25 de Abril em Madrid: foi a melhor forma que encontrei de comemorar porque em Madrid senti-me livre, andei quilómetros a pé em Museus onde não estava há mais de 20 anos. Uma das exposições que vi foi uma retrospectiva de Antoni Tàpies no Centro de Arte Reina Sofia: as suas pinturas surrealistas da juventude eram intragáveis, não dá para olhar para lá. No entanto, estavam expostos desenhos de qualidade de finais do anos 40. Ainda bem que largou aquelas coisas da juvenália e desenvolveu um percurso no informalismo com um cunho pessoal. Gosto das suas pinturas matéricas monocromáticas de início da década de 60 do século passado e da década seguinte, são as minhas favoritas na sua obra. Também aprecio quando se apropria de objectos, na exposição deu para ver que não se perdeu nos anos 80 e envelheceu fresco. A sua obra entusiasmou-me quando tinha 17-18 anos, agora continuo a apreciar, mas sem o impacto primordial. O que me entusiasmou durante a viagem, tal como na juventude, foi ver a pintura de El Greco, os quadros negros de Goya, os Caravaggios, Zurbarán e Velásquez, porque os vejo e não paro de os ver e volto a ver e ver e ver e quero voltar a Madrid para os ver novamente.