Os meus textos-visuais nasceram do trabalho criativo sobre jogos, porque naturalmente também criei jogos visuais de palavras. Na exposição de finalistas do Ar.Co em 1993, apresentei quebra-cabeças onde as palavras eram compostas por módulos com duas letras encaixadas a preto e branco, que permitiam na leitura um jogo entre positivo e negativo. Apresentei ainda um conjunto de desenhos labirínticos, construídos com o mesmo sistema, que mais tarde originaram relevos em terracota e pinturas. Na altura não conhecia a obra dos poetas experimentais portugueses, que foram tema da minha tese de doutoramento nas Belas-Artes de Lisboa na década passada. Não me considero poeta experimental, apesar do jogo e a interdisciplinaridade serem pontos de encontro com estes autores. O meu percurso criativo situa-se num vector contrário: caminhei das artes visuais para a literatura, tanto na minha prática interdisciplinar na juventude, como mais tarde ao ilustrar poesia e ao escrever microficções, enquanto os poetas experimentais caminharam da literatura para as artes visuais ao realizarem exposições e happenings em galerias de arte.
Conjunto de esculturas realizadas na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (1995-1996): peões em poliéster com 3x(75x36x36cm) e dados em cimento 3x(20x20x20cm).
‘Quebra-Cabeças’ (1992) foi uma instalação composta por um conjunto de pinturas em acrílico, com dimensões variáveis. As pinturas eram construídas com módulos rectangulares, onde encaixavam letras diferentes a azul e verde, resultando o conjunto num jogo de palavras, que se podiam encontrar e ler, observando o positivo e o negativo. A instalação fez parte de uma exposição colectiva na Casa das Artes de Tavira de alunos que frequentavam as aulas pintura do Ivo no Ar.Co.
Master Mind: procure as cores que lhe vão na alma’ foi uma instalação onde simulei vários tabuleiros de ‘Master Mind’ com etapas visuais lógicas, que permitiam adivinhar as cores escondidas. ‘Master Mind‘ é um jogo onde se esconde uma combinação de quatro cores em seis diferentes, podendo estar repetidas ou não. A quem procura adivinhar as cores escondidas, fornecem-se pistas através de círculos brancos ou pretos, indicando cor certa em sítio certo ou cor certa em sítio errado. A instalação foi realizada com círculos em papel de lustro colados nas paredes no bar/refeitório do Ar.Co em Lisboa. A instalação foi projectada na aulas de desenho de João Queiroz e Miguel Branco, professores que me orientaram a utilizar o desenho para a concretizar.